ZUMBIDO EM MÚSICOS: AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO PSICOSSOCIAL EM MÚSICOS COM QUEIXA DE ZUMBIDO

Introdução:

O zumbido, também encontrado na literatura como tinnitus, tinido e acúfeno, foi definido como uma sensação auditiva que não vem do meio externo, mas que parece vir de uma ou de ambas as orelhas, ou, mesmo, de um local impreciso da cabeça1. Esta definição se encontra em acordo com “The American Tinnitus Association” (ATA)2, e por alguns autores que igualmente afirmam ser o zumbido um sintoma e não uma doença3.
O zumbido pode ser classificado como “subjetivo”, quando o mesmo é percebido exclusivamente pelo paciente e, “objetivo”, se também o examinador consegue ouvi-lo, mas este raramente ocorre. Geralmente, o zumbido objetivo é pulsátil, enquanto o subjetivo é contínuo5, 9. Em relação à origem e as características podemos encontrá-lo: de origem auditiva, gerado no ouvido externo, médio e interno; nervo auditivo; núcleo auditivo; vias auditivas centrais e córtex auditivo. E, de origem extra-auditiva quando for gerado por distúrbios hemodinâmicos; respiratórios ou miogênicos6. Quanto às características do zumbido, as psicoacústicas mais relevantes são a freqüência (grave, média ou aguda), e a intensidade (relativo ao volume). Todavia, existem outros fatores que devem ser considerados tais como: localização, duração e o tipo do zumbido7.
A causa do zumbido é extremamente importante para o seu diagnóstico. O de causa miogênica acomete as células musculares auditivas, e o neurossensorial, atinge as estruturas do órgão de corti manifestando-se em situações em que ocorre disfunção na cóclea, além de todo o sistema nervoso auditivo8. Igualmente, o zumbido cursa com enfermidades otológicas e não-otológicas e apresenta fisiopatologia bastante complexa, sendo inúmeras as causas que podem gerá-lo, partindo de agressões sofridas pelo sistema auditivo até afecções associadas9,10.

Estudos mostram que cerca de 17% da população geral é atingida pelo zumbido, sendo que 20% dos casos adquire a forma severa 6,11. Dentre essa população se encontra a classe dos músicos que por se tratar de profissionais que exercem sua atividade sob intensos níveis de pressão sonora, tanto em apresentações quanto em práticas de treinamento, podem apresentar o zumbido como primeiro sinal de uma perda auditiva, além de manifestar outros sintomas como: tontura, sensação de plenitude auricular, alterações no aparelho cardiológico, gástrico, muscular, mudanças de humor, estresse e irritabilidade12.
Numa pesquisa realizada com músicos de orquestras sinfônicas os autores relatam que dentre os instrumentos de maior risco á audição se encontram os metais, a madeira e a percussão, alcançando níveis de 95,5 dB a 100,6 dB14. Esses dados reforçam estudos sobre a poluição sonora em igrejas evangélicas, expondo bem a problemática da realidade dos frequentadores destes templos. Dentre os vários incômodos causados pelo excesso de níveis de pressão sonora nestes recintos podemos citar a surdez causada, entre vários motivos, pelos altos ruídos vindos de equipamentos sonoros inadequados15.
O ouvido humano consegue suportar sons de 0 a 90 dB NPS (níveis de pressão sonora), e ao se aproximarem de 130 dB NPS podem se tornar lesivos ao sistema auditivo16. No entanto, é possível afirmar que entre as pessoas com perda auditiva induzida por ruído (PAIR), o número de afetados por zumbido é elevado, sendo que a prevalência deste sintoma aumenta com o grau da perda auditiva, aparecendo gradualmente ao longo dos anos de exposição17.
Alguns músicos, muito deles bastante famosos, têm relatado publicamente serem portadores de zumbido, e este sintoma, aliado a perda auditiva, tem afetado suas vidas e suas carreiras profissionais de maneira drástica3.
Sendo o zumbido um dos primeiros sinais de perda auditiva e, tendo em vista que na literatura cientifica nacional e internacional, pouco se encontra a respeito dos seus danos à vida emocional, laboral e social dos músicos evangélicos, o objetivo deste estudo é avaliar o desempenho psicossocial dessa população, por meio das respostas dadas aos métodos de avaliação, Tinnitus Handicap Inventory (T.H.I) e Escala Visual Analógica (E.V.A).

Material e Método:

Pesquisou-se 15 músicos evangélicos, de ambos os sexos, todos com queixa de zumbido há pelo menos 1 ano. Os métodos de avaliação utilizados foram o Tinnitus Handicap In-ventory (T.H.I) e a Escala Visual-Análoga (E.V.A).

Resultados:

Houve correlação entre os dois métodos de avaliação utilizados, mostrando que a maioria dos participantes do estudo, tanto no THI (66,6%) quanto no EVA (86,7%), apresentou incômodo ao zumbido, classificado de leve a moderado.

Conclusão:
Portanto, baseado nos resultados dos métodos utilizados, Tinnitus Handicap Inventory (T.H.I) e a Escala Visual Analógica (E.V.A), o estudo concluiu que o zumbido causa incômodo de leve a moderado, no desempenho psicossocial, na maioria dos músicos evangélicos pesquisados. Entretanto, os dados estatísticos apontam ser conveniente a aplicação dos métodos utilizados a um grupo maior de pessoas, a fim de dar mais representatividade ao estudo.

Daniela Pimentel © 2014.  Crefono. 13137- Rj

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